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domingo, 6 de novembro de 2011

Ponto para a dieta vegetariana! Saiu no jornal e tem muita gente comentando por ai que o corredor mais velho do mundo é um VEGETARIANO.



Fonte: Fantástico

Indiano de 100 anos corre maratona em oito horas 

Com 100 anos de idade, ele se tornou o corredor mais velho do mundo ao completar uma maratona. Imagine correr a maratona em 8 horas e 25 minutos. Parece lento, não? É tempo suficiente para o recordista mundial fazer quatro vezes os 42 quilômetros da prova mais dura do atletismo.

Mas não foi o tempo que o indiano Fauja Singh comemorou. Com 100 anos de idade, ele se tornou o corredor mais velho do mundo ao completar uma maratona. Foi em Toronto, no Canadá.

Onde corre, o indiano é recebido como celebridade. Com sua longa barba e seu visual exótico, ele foi apelidado de “Tornado de turbante”. Singh é uma prova de que nunca é tarde demais para começar a praticar um esporte. Ele resolveu correr aos 89 anos, quando a mulher dele morreu e ele deixou a Índia para morar na Inglaterra.

E nesses 11 anos já disputou oito maratonas ao redor do mundo. Claro que todo mundo quer saber uma coisa: afinal, é o segredo para tanta disposição?

Singh conta que tudo é questão de ter uma vida saudável. Sem álcool, sem cigarro. Manter uma dieta estritamente vegetariana e se exercitar todos os dias.

Faça chuva ou faça sol, ele corre cerca de 10 quilômetros diariamente. E promete: “vou continuar a correr enquanto estiver vivo”.

Link da reportagem em vídeo no Fantástico.

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Niterói, Segunda sem Carne

A campanha "Segunda sem Carne" em Niterói está crescendo cada vez mais!

A cidade já contava com o apoio do restaurante Alecrim, em Icaraí, que segue uma filosofia de alimentação integral e light. E agora conta com o apoio de mais um restaurante, o Bistrô MAC! O restaurante servirá todas as terças, pois não abre nas segundas, 1 opção de prato vegano e 1 opção lactovegetariana.

A equipe da SVB Niterói foi lá degustar o prato e está aprovadíssimo!





Além de restaurantes, a cidade também conta com o apoio da creche Cirandinha, em Icaraí, e da creche escola Passo a Passo, no Ingá, que oferecem 1 dia da semana o cardápio sem carnes ou derivados.



E a campanha está em universidade também! Com a ajuda da minha linda professora Patrícia Arraes e da minha maravilhosa coordenadora de curso Stella Gregório consegui levar a "Segunda sem Carne" até o Centro Universitário Plínio Leite! ^.^

A Marly Winckler, presidenta da SVB, realizou uma palestra explicando sobre a campanha, e depois a Fernanda Cabral, nutricionista chef da padaria e confeitaria Beira Mar, em Icaraí, falou sobre os mitos e verdades da dieta vegetariana e deu um show!



Estou muito feliz de ver a cidade sorriso abraçar a campanha "Segunda sem Carne" de braços abertos!


"A não-violência leva-nos aos mais altos conceitos de ética, o objetivo de toda evolução. Até pararmos de prejudicar todos os outros seres do planeta, nós continuaremos selvagens."
Thomas Edison

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Sustentabilidade X Nutrição

Estou impressionada, e muito feliz, como está sendo cada vez claro que para um mundo melhor devemos prestar atenção no que colocamos em nosso prato!
E estou mais feliz ainda por saber que cada vez mais pessoas, instituições, empresas e profissionais de saúde se dão conta disso.

O exemplo é este informativo que recebi de uma empresa de Consultoria em Nutrição, referência em nutrição funcional (diferente de alimento funcional) no Brasil, a VP Consultoria.

fonte: http://www.vponline.com.br/_site/newsletter


SUSTENTABILIDADE


Definida pelo Our Commom Future, na WCED de 1987, como a capacidade de satisfazer as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias, a sustentabilidade é também um desafio social que, entre outros fatores, envolve leis nacionais e internacionais, planejamento urbano e transporte, estilo de vida local e individual, consumo ético, planejamento responsável e gestão de recursos (1,2). Já em ecologia, a palavra sustentabilidade descreve como sistemas biológicos conseguem se manter diversos e produtivos ao longo do tempo (2).

Figura 1: Esquema do desenvolvimento sustentável: a confluência das três partes constituintes (3).


Nesse contexto, surge a crescente preocupação com o consumo sustentável, que incorpora o impacto no clima e no meio ambiente, proveniente das escolhas diárias dos seres humanos. Alimentação, o consumo de energia elétrica domiciliar e meios de transporte respondem por grande parte dos maiores impactos sociais dos consumidores (4). Dessas variáveis, a alimentação representa uma oportunidade única para o consumidor de reduzir seu nível de impacto pessoal devido à grande subjetividade da dieta humana (4).

Ao redor do mundo, estima-se que 2 bilhões de pessoas se alimentam com dietas baseadas no consumo de carne, enquanto que 4 bilhões de pessoas optam pelo vegetarianismo (5). Somente nos Estados Unidos, o sistema de produção de alimentos usa em torno de 50% da área total de terras disponíveis no país, 80% da água doce e 17% dos combustíveis fósseis consumidos lá (5). Tal cenário se mantém no mundo todo, deixando claro que, seja a dieta humana baseada no consumo de carnes ou vegetais, o sistema de produção de alimentos está longe de poder ser considerado sustentável (5).

O aquecimento antropogênico
Um das questões ambientais mais urgentes, dentro do tema sustentabilidade, é a mudança do clima global relacionada à crescente concentração atmosférica de gases causadores do efeito estufa (6). Tal aquecimento antropogênico é causado principalmente pela emissão dos chamados greenhouse gas (GHG) e non-GHG, ou gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono, metano e óxido nitroso (7).

A maior fonte de emissão de gás carbônico é derivada do uso de combustíveis fósseis. Já a decomposição de resíduos provenientes da pecuária e a atividade agrícola são as maiores fontes da emissão de metano. A indústria e a agricultura são as maiores responsáveis também pela emissão de óxido nitroso (8). A introdução do sistema de agricultura e a domesticação de animais afetaram, marcadamente, o meio ambiente e os impactos negativos da produção e consumo de alimentos já podem ser sentidos em todo o mundo (9,10).

O impacto da criação de animais
Quando o dano ecológico causado pela criação de animais é examinado, certos aspectos devem ser considerados. Primeiramente, o requerimento de terras para a produção de carne é 10 vezes maior do que para a produção de vegetais. O estrume, produzido em grande escala pela pecuária e utilizado na agricultura como adubo, gera grandes níveis de nitratos potencialmente cancerígenos que contaminam plantações de hortaliças e água potável. A criação de animais requer uma quantidade considerável de energia, combustíveis fósseis e água doce e leva ao desmatamento – que, devido às queimadas, libera mais CO2 na atmosfera -, para a geração de grandes áreas destinadas a pasto (10,11). 


Figura 2: O desmatamento para o cultivo de animais (12).


Somente nos Estados Unidos, a população de gado consome sete vezes mais grãos do que é consumido diretamente por toda a população americana. O montante de alimentos destinados a atividade pecuarista americana seria suficiente para alimentar 840 milhões de pessoas que seguem uma dieta vegetariana. Cerca de 40% da produção mundial de grãos é destinada a alimentação destes animais (5,10). Além disso, há o despejo de minerais como boro, mercúrio, chumbo, cloro, entre outros, provenientes de fertilizantes, pesticidas e defensivos agrícolas usados no cultivo de grãos para sua alimentação. Tais elementos tóxicos infiltram no solo e atingem os lençóis freáticos, poluindo-os (11,12).

Outro agravante é o despejo no meio ambiente de antibióticos, hormônios, analgésicos, bactericidas, fungicidas, vacinas e outros fármacos que via urina, fezes, sangue e vísceras inevitavelmente atingem os lençóis freáticos (12).

Ocorre também a liberação de óxido nitroso – trezentas vezes mais prejudicial para a atmosfera do que o CO2 –, gás carbônico e metano, que são extremamente nocivos à camada de ozônio (10,12,13).

A agricultura nociva
O indiscriminado uso de fertilizantes, pesticidas, agrotóxicos e recursos não renováveis não só poluem importantes fontes de água doce, como também são responsáveis pela emissão na atmosfera de GHG e non-GHG. O tipo de cultivo, a falta de rotação de culturas e o desmatamento são grandes responsáveis pelo empobrecimento do solo (10).

A solução para tal problema seria a agricultura orgânica que prima pelo controle natural de pragas, rotação de culturas, uso de leguminosas, como adubo, entre outras práticas. Adicionalmente, a comida deve ser minimamente processada, empacotada e transportada (10). Práticas difíceis de manter no dia a dia pela maioria da população, devido ao alto custo e "falta" de tempo.

A nutrição sustentável na vida diária
No dia a dia, a nutrição sustentável se baseia nas escolhas e prioridades individuais. Um dos pilares desta seria o consumo de hortaliças frescas e, preferencialmente, provindas de fazendas orgânicas locais, uma vez que práticas como tipo de transporte e distância percorrida, congelamento, uso de agrotóxicos, grau de processamento e tipo de preparação aumentam a emissão de gás carbônico na atmosfera (5,7). Outro ponto importante é a diminuição da quantidade de proteína animal ingerida (incluindo os laticínios e ovos), já que o aumento do seu consumo contribui para o aumento dos danos relacionados com a atividade pecuária (5,7,12).

O tipo de transporte e distância percorrida, processamento, estocagem, comercialização e preparação dos alimentos, entre outros, influenciam diretamente na emissão de GHG e non-GHG (5).

Conclusão
A ciência da nutrição fez grandes descobertas no último século. Entretanto, a população continua a crescer e o planeta Terra está à beira de grandes mudanças climáticas, com suas implicações para a produção de alimentos e escassez maciça de energia sustentável e água potável. Tal ciência foi boa em certos pontos, porém ignorou e negligenciou o bem-estar planetário e, portanto, os determinantes básicos da saúde e bem-estar humanos. Nós, agora, devemos garantir que a prática da nutrição suporte ecossistemas sustentáveis e meio-ambientes saudáveis (13). Nutricionistas, temos papel importante nesta etapa, pois devemos ajudar nas melhores escolhas de nossos pacientes/clientes.

Assim, a visão do mundo sustentável depende de cada indivíduo que se sente responsável pelo meio-ambiente e pela saúde ambiental e humana, de forma geral (10). Entretanto, a visão da nutrição sustentável é também uma questão de prioridade pessoal. Consumidores interessados e bem informados serão capazes de pesar os argumentos e fazer as escolhas necessárias para o bem do mundo em que vivem (9). 


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS.Comissão mundial sobre meio ambiente e desenvolvimento:Nosso futuro comum.1987.
2 – ONIONS, T.C. The Shorter Oxford English Dictionary. p. 2095.Oxford: Clarendon Press.1964.
3 – ADAMS, W.M. (2006). The Future of Sustainability: Re-thinking Environment and Development in the Twenty-first Century.Report of the IUCN Renowned Thinkers Meeting, . 2009.
4 – WEBER,C.L.;MATTHEWS, S.H. Food-Miles and the relative climate impacts of food choices in the United States.Environ. Sci. Technol, p.3508-3513.2008.
5 – PIMENTEL,D.;PIMENTEL.M;Sustainability of meat-based diet and plant-based diets and the environment.Am J Clin Nutr,78(suppl):660S-3S.2003.
6 – ESHEL,G; MARTIN,P.A.; Diet, energy and global warming. Earth Interactions. Volume 10, paper No.9, Page 1, 2006.
7- CARLSSON-KANYAMAK,A;GONZÁLEZ,D.A.;Potencial contributions food consumption patterns to climate change. Am J Clin Nutr,89(suppl):1704-9S.2009.
8 – KRAMER,KJ et al.; Greenhouse gas emissions related to Dutch food consumtion.Energy Police;p.203-216.1999.
9 – REIJINDERS,L;SORET,S; Quantification of the environmental impact of different dietary protein choices. Am J Clin Nutr,78(suppl):664S-8S.2003.
10–LEITZMANN,C. Nutrition ecology: the contribution of vegetarian diets. Am J Clin Nutr,78 (suppl):657S-9S.2003.
11 – PIMENTEL,D;RIMENTEL,M. Population growth, environmental resources and global foods.
J Sutain Forestr;9:35-44. 1999.
12- SOCIEDADE VEGETARIANA BRASILEIRA; Impactos sobre o Meio Ambiente do Uso de Animais para Alimentação. 2007.
13 - WAHLQVIST, M.L.; The new nutrition science: sustainability and development.
Public Health Nutrition, 8(6ª),766-772.2005.

domingo, 25 de setembro de 2011

Segunda sem Carne em Niterói

Na semana que vem teremos o prazer de ter a presidenta da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Marly Winckler, em Niterói e no rio também.  Em Niterói ela irá enfatizar o projeto "Segunda sem Carne" que a prefeitura da cidade está apoiando desde maio deste ano.

Haverá um evento no Museu de Arte Contemporânea (MAC) no dia 27, terça as 10h. E o restaurante Bistrô MAC fará um prato vegano especial para os que estiverem presentes. Abaixo a divulgação: 


DIA 27/09/2011 (Terça – feira) às 10:00h

Local: MAC – Museu de Arte Contemporânea
Mirante da Boa Viagem S/N - Boa Viagem
PALESTRA: Impactos da Alimentação Centrada na Carne sobre as Pessoas, os Animais e o Planeta.
Com Marly WincklerSocióloga, coordenadora para a América Latina e o Caribe da União Vegetariana Internacional, com sede na Inglaterra e presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira.
INSCRIÇÃO GRATUITA pelo site www.niteroisegundasemcarne.com.br
VAGAS LIMITADAS


E no dia seguinte, dia 28, quarta as 11h, será realizado um evento na universidade UNIPLI, a respeito da "Segunda sem Carne".
Neste evento também estará presente a nutricionista da confeitaria, padaria e restaurante Beira Mar, a Fernanda Cabral, que é vegetariana há 15 anos.


A campanha "Segunda sem Carne" promove um dia da semana sem carne no prato, pelas pessoas, pelos animais e pelo planeta. Saiba mais aqui: www.segundasemcarne.com.br









terça-feira, 30 de agosto de 2011

Niterói aderiu a campanha Segunda Sem Carne


Desde maio a cidade de Niterói aderiu a campanha "Segunda sem Carne", que ocorreu em um evento realizado no Museu de Arte Contemporânea (MAC) com a parceria da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) e da Secretaria de Meio Ambiente, Recursos Hídricos e Sustentabilidade, além do apoio da prefeitura de Niterói.

Niterói conta com meio milhão de habitantes. Sendo assim, teremos muito trabalho para a divulgação da campanha para todos os moradores da cidade. O plano é envolver escolas, restaurantes, creches, lanchonetes, etc. 

A campanha Segunda sem Carne é internacional e já foi adotada em diversos países da Europa e nos Estados Unidos. Paul McCartney, ex-beatle, é um dos que mais divulga a campanha.


Esta campanha incentiva um dia da semana sem a ingestão de nenhum tipo de carne animal, inclusive peixe e frango. Por qual motivo?

Pelas pessoas: Estudos mostram que indivíduos que seguem uma dieta vegetariana ou semivegetariana possuem níveis reduzidos de colesterol total e LDL, glicemia, pressão arterial sistólica. Além disso, tem menores chances de desenvolverem doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, diabetes, hipertensão, dislipidemias e até cânceres.

Pelos animais: Atualmente, são mortos cerca de 70 bilhões de animais terrestres por ano no mundo, com a justificativa de que precisamos nos alimentar. No entanto, o reino vegetal é plenamente capaz de encher nossos pratos. Uma alimentação sem ingredientes de origem animal é ética, saudável e sustentável. Assim como nós, os demais animais querem ser livres e ter uma vida normal junto a membros da sua espécie.


Pelo planeta: Segundo a FAO (2009), a indústria da carne é responsável por 18% das emissões globais de gases do efeito estufa, ao passo que todos os transportes somados geram 13%.

O Ministério da Agricultura diz que a pecuária gera diretamente 80% do desmatamento do bioma amazônico, além de 14% em todo o mundo.

Somos quase 7 bilhões de pessoas na Terra e criamos, para nos "alimentar", mais de 30 bilhões de animais (incluindo aves, peixes, camarões e moluscos) que consomem água, comida e recursos energéticos, demandam espaço, despejam detritos, contaminam mananciais, causam erosão e geram poluição atmosférica.

A criação de animais para abate é uma forma insustentável de produzir alimentos, segundo a FAO (2005) para produzir 1 kg de proteína animal são necessários de 3 a 10 kg de proteína vegetal (soja, milho, etc).



MAIS INFORMAÇÕES NO SITE "SEGUNDA SEM CARNE".



sexta-feira, 22 de julho de 2011

Reportagem sobre vegetarianismo com o cardiologista Navarro

Para quem nunca ouviu falar neste cardiologista, ele é um dos médicos que defendem os benefícios à saúde da dieta vegetariana no meio científico. Um dos importantes trabalhos que realizou foi uma pesquisa que se tornou artigo científico, com o título "Pressão sanguínea, perfil lipídico e outros parâmetros bioquímicos entre peruanos vegetarianos, semi-vegetarianos e omnívoros". E outro trabalho importante foi sua tese de doutorado, e tornou-se a base do seu livro "Vegetarianismo e Ciência" (Ed. Alaúde).

Abaixo está uma reportagem que deu à Folha no início deste ano.

01/01/2011
Dieta Vegetariana ainda é alvo de preconceito, diz cardiologista

Carlos Cecconello/Folhapress
Cardiologista Julio César Acosta Navarro fala do preconceito no meio acadêmico em relação a dieta vegetariana

Cardiologista Julio César Acosta Navarro fala do preconceito no meio acadêmico em relação a dieta vegetariana


O cardiologista peruano Julio César Acosta Navarro convive com dois mundos diferentes. Um é o da medicina intervencionista --ele é médico do setor de Emergências Clínicas do InCor (Instituto do Coração), do Hospital das Clínicas de São Paulo. O outro, objeto de suas pesquisas, envolve o estudo dos efeitos de longo prazo da dieta vegetariana, ainda pouco compreendida pela ciência ocidental.


Em entrevista à Folha, Navarro, que acaba de lançar o livro "Vegetarianismo e Ciência" (Ed. Alaúde), fala do preconceito no meio acadêmico em relação a essa dieta e aponta benefícios e dificuldades encontrados por quem quer praticá-la.


Folha - O fato de você ser vegetariano interfere na forma com que as pessoas veem o seu trabalho?
Julio César Acosta Navarro - Se um cientista diz que é vegetariano, acham que seu trabalho está orientado por interesses além dos científicos. A questão é polêmica, e o tema não é facilmente aceito na academia. Senti isso na pele quando tentei defender minha tese de doutorado, sobre benefícios da dieta vegetariana, pela primeira vez. Eu tinha um trabalho que já havia sido aceito para publicação e apresentado em congressos, mas não foi aceito. Tive que desenhar um segundo estudo e só pude defender a tese dois anos depois.



Você sempre seguiu esse tipo de dieta?
Como a maioria, cresci em uma família em que a carne era o alimento favorito, acreditando que, além de gostosa, era necessária. Aos 15 anos, a partir de leituras de filosofias orientais, me convenci de que ser vegetariano era uma mudança para melhor. Nessa idade, não parei de comer carne --comia o que minha mãe me servia--, mas, aos 20, adotei o vegetarianismo. Como já estava na universidade, decidi investigar a questão do ponto de vista médico. Era o início dos anos 80, o vegetarianismo era associado a religião e radicalismo. Hoje, é uma questão da ciência, da ecologia.


Publicações científicas atuais começam a usar o termo "semivegetarianos". Isso existe?
É um termo novo, mas é um grupo real. É encontrado em populações que comem pouca carne por falta de acesso, por ser cara, e em grupos simpatizantes do vegetarianismo que não conseguem abolir a carne do cardápio. A definição técnica é o consumo de no máximo uma porção de carne por semana.


LINK PARA A REPORTAGEM: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/853473-dieta-vegetariana-ainda-e-alvo-de-preconceito-diz-cardiologista.shtml